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  Notícias sobre Saúde  
     
     
  Clínicas não informam risco de teste genético em embrião  
     
 

Clínicas de fertilidade não informam os pacientes sobre os riscos do teste genético em embriões. A conclusão é de uma pesquisa publicada na revista "Fertility and Sterility", referência na área de reprodução, que avaliou as informações disponíveis nos sites de 83 instituições americanas.

No Brasil, a situação é parecida. A Folha pesquisou 12 sites de clínicas de reprodução humana que oferecem o teste e constatou que nenhum deles menciona os riscos do procedimento. Nos EUA, apenas 35% das instituições pesquisadas informavam sobre os riscos.

Conhecido como PGD (diagnóstico genético pré-implantacional), o teste se propõe a evitar a transmissão de doenças hereditárias, identificadas previamente na família. Após tratamento de reprodução assistida, são retiradas uma ou duas células de um embrião de três dias (estágio de 6 a 12 células).

Essas células são testadas para diferentes doenças genéticas -como a fibrose cística e as síndromes de Duchene e Huntington. Os embriões doentes são descartados, e os sadios transferidos para o útero.

Nos últimos anos, a indicação do teste foi ampliada para casos de sucessivos abortos espontâneos, insucesso nas fertilizações in vitro (FIV) e idade avançada da mulher.

No entanto, há estudos mostrando ao menos três riscos associados ao teste: ele pode destruir o embrião, falhar em 10% dos casos ou simplesmente descartar embriões saudáveis (apresentaram alteração no exame, mas se "autocorrigiriam" na divisão celular).

 
     
Editoria de Arte/Folha Imagem
     
 

Controvérsia

A validade ou não do exame tem sido tema dos últimos congressos de reprodução. "De dois a três anos para cá, novos estudos têm demonstrado que o PGD pode não ser tão benéfico assim. E realmente as clínicas não colocam isso nos seus sites", afirma o urologista Edson Borges Júnior, diretor da clínica Fertility, de São Paulo.

Borges Júnior diz que o alerta vai constar em novo texto do site da clínica e também no termo de consentimento informado -documento que os casais assinam antes do procedimento em que declararam estar cientes dos riscos.

Segundo ele, o exame continua sendo muito importante para os casais com casos de doenças genéticas na família.

Já o ginecologista Eduardo Motta, diretor da clínica Huntington e professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), argumenta que o índice de sucesso das FIVs é maior quando os embriões são submetidos ao PGD. "Em nossa estatística, a taxa de implantação por embrião em mulheres acima de 40 anos é de 6%. Com o PGD, sobe para 22%, semelhante a casais mais novos."

Mas ele ressalta que é preciso uma equipe experiente para a realização do exame. "Grupos inexperientes têm mais problemas que acertos."

O ginecologista Ricardo Baruffi, da clínica Franco Júnior, observa que há estudos mostrando que o procedimento pode reduzir as chances de gravidez ao danificar a célula do embrião retirada para análise.

"A técnica não é perfeita. Se fosse, deveria ser feita em todas as mulheres, inclusive nas mais novas, que também podem ter bebês com más-formações."

Para o médico Antonio Fernandes Moron, professor titular de obstetrícia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e especialista em medicina fetal, o teste continua muito importante na detecção de doenças gênicas hereditárias, mas o seu uso é questionável nos outros casos.

"Não há evidência científica. Vende-se a falsa impressão de que, fazendo o teste genético em mulheres mais maduras, o processo de fertilização seria mais controlado. Isso é um absurdo. Não é um processo seguro até porque há riscos de doenças associadas à manipulação embrionária", afirma.

Novo teste

Nesta semana, um novo tipo de teste genético foi anunciado durante congresso anual de fertilidade nos EUA. A técnica, chamada de hibridização genômica comparativa (ou CGH na sigla em inglês), possibilita a análise dos 23 cromossomos, o que traria mais segurança para a gestação de um bebê saudável, além do aumento das chances de gravidez de mulheres mais velhas. No caso do PGD, são avaliados apenas os cromossomos 13, 15, 16, 17, 18, 21 e 22, além do X e Y.

O novo exame também divide opiniões. Para Eduardo Motta, o teste genético é um caminho sem volta. "Mas é muito técnico, trabalhoso e não pode ser feito de forma inadvertida." Segundo Moron, mesmo com o CGH, não há garantias de que o bebê esteja isento de doenças genéticas. "Não se pode fazer disso uma propaganda para atrair consumidor."

"É uma técnica ainda mais cara e ainda não está comprovado de que ela tenha a solução do problema", resume Baruffi.

 
     
     
 

CLÁUDIA COLLUCCI
da Folha de S.Paulo

 
     
   
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