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  Notícias sobre Saúde  
     
     
  Cirurgia e remédio têm igual ação em diabético cardíaco  
     
 

Fazer cirurgia cardíaca, angioplastia (implantar stents para desobstruir vasos) ou apenas tomar remédios têm o mesmo efeito no tratamento de pacientes com diabetes tipo 2 e doença cardíaca estável.

A constatação é do estudo multicêntrico Bari 2D, o maior do gênero, que foi divulgado nesta semana durante o congresso anual da Associação Americana de Diabetes, nos Estados Unidos.

Durante cinco anos, os pesquisadores compararam os três tipos de tratamento para os pacientes nessas condições e constataram que o índice de mortalidade foi semelhante.

A sobrevida no período foi de 88,3% entre os pacientes que fizeram cirurgia ou angioplastia e de 87,8% entre os que receberam apenas a terapia medicamentosa (que inclui ao menos cinco drogas). Foram avaliados 2.368 pacientes diabéticos e com obstrução em pelo menos três vasos. Participaram 46 hospitais do mundo -entre eles, o InCor (Instituto do Coração) de São Paulo.

Os resultados foram publicados no "New England Journal of Medicine" e contradizem o consenso médico que prevê indicação cirúrgica para quase todos os pacientes com doença cardíaca e diabetes.

"Como o diabetes é um fator de risco importante para doenças coronarianas, era praticamente lei operar os pacientes com esse perfil", afirma o cardiologista Whady Hueb, que coordenou o estudo no InCor.

Para Hueb, os resultados devem mudar a forma como os pacientes com esse perfil serão tratados. "O paciente diabético era rotulado. A partir de agora, a gente espera que ele seja tratado normalmente, sem paranoia. O estudo acabou com a ideia de que tem que submeter um paciente a cirurgia só porque ele é diabético", afirma.

Em casos graves, no entanto, quando o paciente já sofreu um infarto ou tem a função cardíaca prejudicada, a cirurgia continua sendo o tratamento mais indicado, segundo o médico.

O cardiologista Ari Timerman, presidente da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) confirma a tendência de operar os pacientes diabéticos. Mas, na opinião dele, é pouco provável que esse consenso mude imediatamente. "Os resultados serão mais uma ferramenta para o médico avaliar caso a caso", diz.

De acordo com o endocrinologista Roberto Betti, médico-assistente do Núcleo de Diabetes do InCor, o impacto do estudo é muito grande. "Percebemos que fazer o controle intenso de todos os fatores de risco diminui a mortalidade da mesma forma que a cirurgia ou a angioplastia. Assim, em pacientes estáveis, o tratamento clínico será a primeira escolha", diz.

Adesão aos remédios

Para o cardiologista Marcos Knobel, coordenador da Unidade Coronariana do hospital Albert Einstein, os resultados não retratam a vida real, pois os pacientes que receberam apenas medicamentos foram rigorosamente acompanhados.

"É muito difícil fazer o paciente aderir completamente ao tratamento medicamentoso, pois ele precisa tomar várias drogas por dia. E também é raro o paciente ir ao médico várias vezes só para fazer exames de rotina", avalia Knobel.

 
     
     
 

FERNANDA BASSETTE
da Folha de S.Paulo

   
   
   
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