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  Notícias sobre Saúde  
     
     
 

Vendidos na web, produtos que prometem cura não têm eficácia

 
     
 

Com nomes cifrados (como ZMA ou Transfer Factor Plus), sugestivos (como Libido da Noruega) ou com referências a substâncias que têm tido destaque por suas potenciais propriedades na prevenção de doenças, produtos autodesignados como suplementos nutricionais são ofertas abundantes na internet.

As promessas são tentadoras: aumentar a imunidade, viver mais, sofrer menos, melhorar o desempenho sexual. "Todo mundo procura a pílula mágica da saúde, da beleza, da juventude. Infelizmente, ela não existe", diz Durval Ribas Filho, presidente da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

O maior problema, para o cardiologista César Jardim, do HCor (Hospital do Coração), é que esses suplementos se vendem como a solução de variadas condições de saúde. "Alguns podem até ajudar [a cuidar da saúde], mas uma coisa é cuidar, outra é resolver", diz Jardim. Ele acredita que, do modo como são oferecidos (e procurados), esses produtos acabam tomando o lugar do conceito mais importante, que é uma dieta equilibrada.

A Folha selecionou algumas das fórmulas mais procuradas ou "exóticas" oferecidas na internet para descobrir o que são, o que prometem e o que os especialistas dizem a respeito de sua eficácia.

ZMA

É a abreviação, em inglês, para aspartato de monometionina de zinco. Contém zinco, magnésio e vitamina B6. O revendedor do produto (fabricado nos EUA) afirma que tal combinação pode elevar os níveis de testosterona em até 30% e aumentar a força muscular e a libido.

O urologista Jorge Hallak, coordenador da Unidade de Toxicologia Reprodutiva e de Andrologia da USP, conta que uma pesquisa do Instituto Adolfo Lutz mostrou que 2/3 dos suplementos nutricionais americanos voltados para a função erétil contêm derivados de testosterona não revelados na embalagem. Em indivíduos propensos, esses derivados criam um efeito rebote que pode afetar a função reprodutiva, além de causar agitação, insônia e nervosismo.

Quanto à capacidade de o zinco e o magnésio promoverem o aumento da testosterona, o urologista diz que isso só faz sentido para pessoas com deficiência dos minerais.

Libido da Noruega

Concentrado nutricional de proteínas, peptídeos bioativos e ácidos graxos essenciais obtidos de "embriões galiformes", traria os benefícios de estimular os moduladores da fertilidade e da virilidade. Nas mulheres, diminuiria sintomas da menopausa, como perda de libido e de massa óssea.

Para Hallak, dá para desconfiar da eficácia do produto por ele propor estimular tanto a fertilidade quanto a virilidade. "As formas de estimular cada uma dessas funções são totalmente diferentes."

A descrição dos componentes tampouco é convincente: "Esses embriões aparentemente são ovos. Além de não sabermos de nenhuma ação comprovada, ainda há a questão de saber se eles são livres de vírus, se foram manipulados com a devida assepsia", alerta Hallak.

Quanto ao aumento da libido, aparentemente não há nada que o promova, além do nome sugestivo da fórmula que, eventualmente, pode provocar um efeito placebo.

Resveratrol

A substância, encontrada na uva e no vinho, tem sido estudada por suas propriedades antioxidantes. Na internet, há oferta de resveratrol em cápsulas de 20 mg, com a promessa de diminuir em 40% o risco cardiovascular, reduzindo colesterol total, colesterol LDL (o ruim) e triglicérides e relaxando as artérias. Além disso, o fabricante afirma que a substância ativa um gene de longevidade, o que aumentaria a expectativa de vida em nada menos do que 70%.

Segundo Myriam Spinola Najas, presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) e professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o resveratrol tem efeitos antioxidantes já demonstrados na literatura. "Sabemos que está entre as substâncias que podem melhorar a vascularização, prevenindo microinfartos e microacidentes cerebrais. Isso pode, indiretamente, aumentar a expectativa de vida. Mas ativar o gene da longevidade? Se pelo menos esse gene já tivesse sido descoberto!", diz Najas.

Além da promessa sem evidência científica de ativar o gene da longevidade, as outras propriedades do resveratrol também não são suficientes para garantir a eficácia do suplemento. "As descobertas são resultado de estudos em laboratório e com animais. Não há estudo controlado com seres humanos, por isso não há nenhuma recomendação de consumo, não sabemos que dose seria eficaz e se teria outros efeitos não desejados", afirma.

Gomas de colágeno

Trata-se de um confeito de açúcar com 2 g de colágeno hidrolisado, que promete melhorar a textura da pele, suavizar rugas, auxiliar o crescimento e o fortalecimento dos cabelos e das unhas e ajudar a emagrecer.

O colágeno é facilmente produzido pelo organismo a partir de fontes alimentares de proteína. "A não ser que a pessoa tenha uma insuficiência proteica enorme, ela não precisa de fontes suplementares de colágeno", diz o dermatologista Davi de Lacerda, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Segundo ele, o colágeno está de fato associado à sustentação da pele, mas não há base científica para afirmar que a ingestão extra do nutriente aumente a sua produção. "Com o envelhecimento, há uma diminuição da produção de colágeno pelo organismo, mas nenhum estudo mostrou que aumentar o aporte nutricional da substância aumenta o colágeno nos tecidos do corpo", diz Lacerda.

Ele também afirma que não há nada especialmente emagrecedor no colágeno hidrolisado. Os revendedores do produto dizem que a goma ajuda a emagrecer por gerar a sensação de saciedade, especialmente se for consumida com água. Para Lacerda, o colágeno hidrolisado produz certa saciedade, não maior do que as fibras alimentares, e pode "inchar" no estômago com a água, mas o efeito é pequeno e dura pouco.

Ran-yu

São cápsulas com lecitina de ovo, que, segundo um site, diminui o colesterol ruim, aumenta o bom, controla hipertensão, diabetes, estresse e hemorroidas, melhora a memória, auxilia na impotência sexual e combate a osteoporose.

A lecitina é um aminoácido encontrado em fontes de proteína animal que, segundo o nutrólogo Ribas Filho, tem a sua importância na alimentação, mas não é o aminoácido mais importante do ovo.

Para o cardiologista César Jardim, vários nutrientes têm um papel benéfico na saúde cardiovascular, mas os efeitos não são exclusivos de um composto isolado, e sim da dieta como um todo.

Em relação ao Ran-yu, ele questiona como uma única substância pode, sozinha e ao mesmo tempo, controlar tantos fatores, como hipertensão, diabetes e excesso de colesterol. "Em inúmeros anos de pesquisa, a medicina ainda não descobriu uma substância que conciliasse o tratamento de tantos distúrbios diferentes", diz Jardim.

Cartilagem de tubarão

Segundo sites na internet, o produto auxilia nos processos de osteoartrite, artrose e degeneração muscular e tem a proporção ideal de cálcio e fósforo para a absorção orgânica.

Há alguns anos, a cartilagem de tubarão virou febre por sua suposta ação anticancerígena. Porém, estudos controlados desmentiram esse efeito -o mais recente foi publicado no segundo semestre deste ano.

A divulgação de efeitos contra o câncer foi proibida, mas os sites continuam a divulgar propriedades benéficas para certas condições reumatológicas.

José Carlos Szajubok, presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia, diz que um trabalho da Universidade Federal do Ceará mostrou que o teor das substâncias encontradas na cartilagem do tubarão não tem eficácia terapêutica. "Além de o aporte de nutrientes não ser suficiente, a proporção não é mantida após o processo de digestão", diz o reumatologista.

Segundo a Anvisa, produtos à base de cartilagem de tubarão não podem fazer propaganda de propriedades funcionais.

Transfer Factor Plus

Promete potencializar o sistema imunológico e a energia. Inclui fitoesteróis de soja (gordura encontrada nos vegetais), inositol e betaglutanos de aveia (fibras alimentares), extratos de folhas de oliveira, de Aloe vera e de cogumelos.

Segundo Ribas Filho, o produto mistura substâncias estudadas por seus efeitos no organismo, mas nada que justifique dizer que atue no sistema imunológico ou aumente a energia. Os fitoesteróis, por exemplo, podem diminuir o colesterol, mas os estudos mostram que o efeito só ocorre com doses superiores a 2 g por dia -no site do fabricante, não há indicação da quantidade da substância encontrada no produto.

As fibras alimentares também ajudam no controle do colesterol e do nível glicêmico quando fazem parte de uma dieta saudável. "Uma coisa é ingerir a fibra no grão de soja, outra é usar a substância isolada, que pode não ter o mesmo efeito", diz Ribas Filho. "A fórmula usa nutrientes ou alimentos divulgados por seus potenciais efeitos na saúde, mas nenhum estudo mostra que misturá-los em uma mesma fórmula traga algum benefício", resume.

Noni

É uma fruta (Morinda citrifolia) originária da Polinésia Francesa. É vendida desidratada, em cápsulas ou em forma de suco com as promessas de aumentar a energia, ter ação anti-inflamatória, anti-histamínica e antibacteriana, aliviar dores e, de quebra, melhorar a qualidade do sono, reduzir a pressão arterial, controlar o diabetes, proteger de lesões cardíacas e inibir o crescimento de tumores (só!).

Embora a fruta possa ter substâncias antioxidantes que ajudariam na prevenção de doenças, Szajubok diz que não há nenhuma base para afirmar que ela pode aumentar a imunidade.

Segundo a Anvisa, o produto não pode ser importado, comercializado e usado no Brasil. "A alegação de propriedades terapêuticas não tem respaldo científico. Estudos relatam casos de toxicidade hepática e renal em humanos associados ao consumo de noni."

CoQ10

É uma coenzima presente no organismo e nos alimentos. O suplemento (um concentrado de óleo de peixe) reporia a substância (cuja produção pelo organismo diminui com a idade) e teria efeitos na saúde cardiovascular, no fortalecimento do sistema imune e na prevenção de doenças degenerativas cerebrais, além de oferecer proteção contra efeitos adversos de medicamentos para o colesterol e de desacelerar o processo de envelhecimento.

Coenzimas são substâncias que transportam e ativam as enzimas, que viabilizam a atividade das células. "Se você joga uma sobrecarga dessas substâncias no organismo, pode acelerar todos os processos biológicos. Não sabemos o que pode acontecer com isso, já que não há nenhum estudo controlado mostrando os efeitos orgânicos, os supostos benefícios e os possíveis riscos", diz Najas.

 
     
     
  IARA BIDERMAN
colaboração para a Folha de S.Paulo
 
     
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